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A magia do caos como liberdade
Sorcerer Supreme #8 é a MELHOR edição desta fase até o momento. Steve Orlando transforma uma batalha contra um canhão astral em uma história sobre consciência, liberdade e responsabilidade, usando Wanda de uma forma que compreende perfeitamente quem ela se tornou.
A edição começa em escala máxima. A Maniac Maw da edição anterior era apenas munição de uma arma muito maior, posicionada sobre a Terra e capaz de disparar outras criaturas iguais. Wanda e Turin conseguem conter o ataque, mas o canhão restaura imediatamente todo o dano recebido. Hexes, veneno celestial e força bruta se tornam inúteis porque qualquer ferimento causado à arma simplesmente desaparece.
É aí que Wanda encontra a solução mais interessante possível: ela faz o canhão pensar.
Primeiro, concede pensamento superior e linguagem. Depois, cria uma bolha temporal usando um feitiço dos Deuses de Chronux. Turin mal termina de piscar, enquanto Wanda e a arma passam uma vida inteira juntas. Ela ensina medo, sofrimento, propósito, escolha e liberdade por meio das próprias memórias, recusando-se a colocar o peso das experiências de outras pessoas dentro de uma consciência recém-nascida.
O resultado importa porque a arma chega sozinha à conclusão de que não pode preservar sua liberdade enquanto destrói a liberdade dos outros. Wanda não substitui uma programação por outra. Ela oferece conhecimento, tempo e escolha. O antigo canhão de extermínio decide não disparar, abandona o nome Necropsy e recebe um novo nome: Eovan.
Essa sequência resume muito bem a visão de Orlando para a magia do caos. O caos de Wanda representa a possibilidade de escapar de uma função imposta. Eovan foi construído para matar, mas sua origem deixa de determinar seu futuro. A vitória de Wanda acontece quando ela cria espaço para que outra existência escolha o que deseja ser.
A história do Rei da Extinção também ganha peso. Hoggoth e Oshtur o invocaram com carniça retirada do Outer Dark para enfrentar os Akkerhim, deuses que governavam uma galáxia por meio da dor. Ele venceu a guerra construindo Armas de Extinção com ideias amaldiçoadas e Mortoturgia. Quando os Vishanti perceberam o horror dos métodos que haviam colocado em movimento, enterraram sua criação em Moritarga. Agora ele quer obrigá-los a assistir à destruição de toda a magia.
Bernard Chang dá escala e estranheza a cada conceito, desde a artilharia astral pairando sobre a Terra até o despertar quase infantil de Eovan. As cores de Ruth Redmond tornam a edição intensa sem comprometer a clareza, especialmente nas cenas em que a consciência da arma começa a se formar.
Turin também funciona muito bem ao lado de Wanda. Ele protege a Terra, destrói as Maniac Maws quando seus campos são desativados e reconhece que a maior força de Wanda naquele momento foi a diplomacia. O breve epílogo com Tommy mostra que a batalha teve consequências concretas e que milhares de pessoas foram salvas pelo trabalho coordenado em solo.
O encerramento apresenta a Torture Star como a verdadeira medida das Armas de Extinção: um buraco negro capaz de atravessar uma distância imensa em segundos e aprisionar Wanda e Turin em um cemitério vivo de deuses. Depois de uma vitória tão humana e esperançosa, o cliffhanger devolve à história toda a sua dimensão de horror cósmico.
Sorcerer Supreme #8 apresenta Wanda como estrategista, diplomata e encarnação viva da liberdade que existe no caos. É uma edição grandiosa, inteligente e profundamente fiel à personagem.
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